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sábado, 7 de maio de 2011

Sobre Um Grande Sonho e a Real Felicidade



Uma das minhas primeiras lembranças, da infância, me remete a um dos meus primeiros sonhos, desejos, ao assistir às imagens do Rio de Janeiro na televisão e que me causavam uma nostalgia incompreensível, eu fixava minha atenção naquelas imagens e dizia: "Ainda irei viver aí! Eu vou ficar adulta e vou me mudar para o Rio de Janeiro!"


Ninguém da minha família entendia nada, sequer levava a sério. Eu era apenas uma criança "viajando demais" nas próprias fantasias.


O tempo foi passando, mas o sonho não. O sonho crescia, amadurecia junto comigo, me envolvia, do nada, em diversas noites, após as quais eu acordava com a certeza mais forte: "Aos 27 anos irei mudar-me para o Rio de Janeiro. Será lá o lugar onde encontrarei minhas respostas!"


Espere! Que respostas??? A quais perguntas? - sim, eu me questionava isso, mas, em seguida, afastava esse questionamento da minha mente. Pouco importava, eu haveria de ir.


Juntava postais com a imagem do Cristo Redentor e do Corcovado, pregava-as nas folhas das minhas agendas e diários, como um lembrete de que eu tinha um sonho a realizar. Essa seria a minha felicidade.


O tempo continuou passando, cresci, vivi tudo o que tinha que viver, até que, um belo dia, em 2006, aos 26 anos, propus à minha família que nos mudássemos para lá. O que haveríamos de perder tentando? Uma proposta de uma vida nova se apresentava. Por que não ir?


Fomos! Em uma manhã chuvosa de janeiro de 2007 rumávamos a Dutra, sentido ao lugar que apelidei, carinhosamente, de "Terra dos Sonhos".
Completei 27 anos lá, conforme, determinei (profetizei?) durante toda a minha vida.


Lá encontrei minhas respostas, encontrei meu lugar, encontrei as verdadeiras amizades, encontrei A Felicidade. De acordo com o conceito que sempre tive.


Eu encontrei a felicidade em uma forma de viver simples, sem ostentações, mas, tão próxima da natureza, tendo um contato tão grande com o que é Verdadeiro e que o Universo nos disponibiliza. Descobri novos conceitos, reencontrei minhas raízes...raízes que eu, até então, sequer suspeitava que existissem.


A menina tímida que não gostava de aparecer, se entregou ao bailado cigano, às magias e mancias de um povo que era seu e ela pôde descobrir.


A mulher que buscava uma base encontrou um Mestre, alguém em quem ela, também, encontrou um pai, que a apresentou aos verdadeiros valores da alma e fez com que ela reconhecesse o próprio valor.


Aquela garota se afirmou como mulher, ao mesmo tempo em que acalmava suas emoções tão fortes, que ela, em vão, passara a vida tentando represar.


Aquela pessoa pacata, apagada, se descobriu cigana...cigana na mais completa das acepções: mulher cigana, com sua beleza, sua atitude, sua sabedoria. 


E, acima de tudo, venceu o medo de se entregar a amizades sinceras, soube gostar de verdade, demonstrar seus afetos e emoções. Acreditou, confiou, viveu intensamente.


Encontrei afetos, também descobri desafetos, mas tudo de uma forma tão forte, tão intensa, tão verdadeira, que pude abrir os olhos para o que era, realmente, a vida.


Descobri no Rio de Janeiro, que a vida era muito mais do que um belo emprego onde se ganha bem, para se comer nos melhores restaurantes, gastar em roupas, sapatos, bolsas, mas, por dentro, se sentir tão vazia.
Usando saias indianas, sandálias sem salto, sob o calor de mais de 40ºC, caminhando, muitas vezes, em ruas não asfaltadas, por lugares, extremamente simples, trabalhando e não ganhando tanto assim, me vi, de fato, Feliz.


Descobri que a felicidade é um conceito que varia de pessoa para pessoa. Ser feliz não é Ter...é encontrar a melhor forma de Ser


Sentir o contato do solo sob seus pés, bailar sob o luar, conviver pacíficamente com os quatro elementos, possuir, apenas, o essencial, acordar com o som de pássaros e galos cantando, abraçar uma árvore e sentir a vida que vibra nela...a magia de viver, de fato,interagir com a Natureza, ser parte dela, de reencontrar a sua essência!


Um dia a partida se fez iminente e necessária. Parti com a sensação de que deixava, para trás, o melhor de mim, a melhor parte da minha história, mas, levando, comigo a certeza de que voltaria...de que havia encontrado o meu lugar, de que, após tantos anos encontrara meu Lar...eu, a paulistana que, durante quase 27 anos havia vivido vendada pelas ilusões da cidade grande, havia encontrado meu verdadeiro EU


Mais de dois anos passados...hoje entendo que precisei voltar para poder evoluir, crescer, desenvolver projetos para, enfim, voltar ao meu lugar e apresentar aos que amo a certeza de que aprendi, de que sofri, mas, estou voltando uma pessoa melhor.


E são essas lembranças, o pensamento nesse lugar e nas pessoas que me esperam, que me fazem cada vez mais forte para não esmorecer diante das dificuldades que enfrento, para não desistir, não jogar tudo para o alto e ir embora, de qualquer jeito.


Quero aprender e voltar e compartilhar o que aprendi...ainda que a saudade, vez ou outra, doa em meu peito, com uma urgência tão grande, que a vontade é deixar tudo e partir...eu serei forte e sustentarei até o fim, pois, o que é o fim, na verdade, nada mais é do que a transição de um ciclo a outro...a paulistana abandona a terra onde nasceu e retorna à terra à qual ela descobriu ser seu lar...eu, cigana, não tenho pátria, não pertenço a um lugar definido, mas, estou onde meu povo está, onde está meu amor, meus amigos, minha vida...


Rio de Janeiro..."Terra dos Sonhos"...onde fui feliz e, talvez, na época, não tenha tido essa consciência...a minha história...um trechinho da minha felicidade.


A sensação eterna de "volta ao lar"...que só apaziguará quando eu puder voltar, de fato.


E voltarei...

"Muda a pelagem a fera
Muda o cabelo o ancião
E assim como tudo muda
Que eu mude não é estranho
Mas não muda meu amor
Por mais longe que eu me encontre
Nem a recordação nem a dor
De meu povo e de minha gente"
(Todo Cambia - Mercedes Sosa)

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