Frases Soltas do Pensador (www.pensador.info)

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Yo Volverei




longe da minha terra,
sou caminhante sem rumo,
árvore sem raiz.
longe de meu povo,
longe de minhas canções,
sem meu bailado,
sem o calor da salamandra
e o gosto do vinho em meus labios,
uma cigana solitária,
sem ter onde quedar-se,
quem eu sou? 
eremita perdida em suas andanças,
os passos que perdem-se
no vazio do espaço,
a solitude acompanhada pela saudade.
cigana...
bailando no vácuo do silêncio...
nada sou...
magia que dissolve-se no infinito,
olhar perdido no horizonte,
o desejo do regresso,
a certeza da volta...um dia...
quando voltarei?
pessoas que me esperam,
companheiros de caminhada,
a caravana que aguarda
a volta da filha amada.
cigana...
zíngara...
gitana...
eu vou, mas volto,
a dor que me acompanha
se desfaz na certeza, que não me deixa,
de que sei onde é meu lugar.
a vida que caminha em círculos,
mas ao ponto de partida acaba por voltar.
peregrina...
a filha que partiu, 
mas, um dia, vai regressar.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Conto: A Carta




     
    Olá,como tem passado?

   Espero que bem, porque, quanto a mim, tenho vivido minha vida...inclusive é o que tenho feito nesses últimos 12, quase 13 anos, de um jeito ou de outro.
   Tenho acompanhado seus passos, principalmente nos 8 primeiros anos, quando eu ainda o sentia tão presente e me sentia, ainda, tão vinculada a você.
   Vi que tentou buscar outros amores, vi que se decepcionou, vi quando tentou de novo e, ainda posso ver, você está em mais uma tentativa, a qual não compreendo, mas, também, não creio que vá te levar a algum lugar.
   Você foi meu primeiro namorado, meu primeiro amor, de fato, e, sei, sei porque ouvi muito de você: eu fui seu primeiro grande amor!
   Em uma época em que éramos, apenas, praticamente, duas crianças, inconseqüentes e cheias de sonhos, criando um mundo utópico, onde havíamos, apenas nós dois...apenas eu e você...e as inúmeras cartas que eu escrevia e as canções que você tocava ao violão, dedicando-as a mim...nós,tão jovens e idealistas, tecendo sonhos dourados...não...não eram impossíveis, apenas era cedo demais para torna-los reais.
  Mas a vida trouxe ilusões e, ao mesmo tempo, a realidade que recusávamo-nos a enxergar e nos direcionou, cada um, a rumos diferentes, linhas que difícilmente se encontrariam, mas, que pareciam seguir paralelas, pois, a cada acontecimento que sucedia-se a você, algo parecido acontecia comigo...vez ou outra o acaso nos reunia e nos fazia, intimamente, lamentar os anos que nos separaram.
  Ainda lembro da última vez em que o vi, anos atrás...do nervosismo que se estampou em seus olhos, das suas mãos trêmulas tentando acender o cigarro...eu nunca o havia visto fumando, mas você garantiu-me que o fazia desde que terminamos.
 Você ainda fazia parte daquilo que lamentei ter perdido, ainda era alvo do meu desejo secreto de ter você de novo, o fantasma que me perseguiu por anos e anos, não me deixando apaixonar, de fato,novamente, por ninguém.
  Eu sempre tive tantas coisas a te dizer, coisas que ficaram sufocadas por tanto tempo...sempre quis te contar que nunca joguei fora as cartas que você havia escrito, que ainda guardava suas fotos e os discos de onde tirava as canções que tocava para mim. Me recusei, por todos esses anos, a trancar nossas memórias no baú do esquecimento, alimentei-as e o venerei, como um deus ao qual eu devesse apresentar minhas penitências por tê-lo martirizado, um dia.
  Era o seu nome que eu chamava, sempre que algo me feria, me magoava, quando o desespero batia e eu pensava: "ele jamais teria feito isso a mim!".
  Quando eu sofria, eu acreditava que era por tê-lo feito sofrer algum dia e aceitava, resignadamente, o que eu julgava ser o tributo a ser pago por conta das lágrimas que custou a você, o amor que sentiu por mim.
  Amei-o, em segredo, tendo a mais absoluta certeza de que, talvez, você jamais tivesse deixado de me amar também, de que, se você pudesse deixar seu orgulho de lado, talvez pudesse se abrir para reencontrar esse amor que jamais saiu de dentro do seu peito.
  Entretanto, a dor que o inflingi, o transformou. Hoje, quase não posso reconhecer nesse homem frio e indiferente, o menino de sorriso meigo e carismático de outrora. Não mais vejo em seus olhos o ar sonhador e, sim, o ceticismo de uma pessoa que aprendeu a caminhar com as quedas que levou, pela vida. e como dói em mim saber que eu fui a causadora de muitas dessas quedas, dessas dores.
  Eu jamais pretendi ser o instrumento que o faria crescer, através da dor, jamais pensei em carregar o fardo de ser aquela por quem você se transformou, tão radicalmente, no que é hoje.
  Eu só queria ter a chance de olhar em seus olhos e te contar tudo, não digo "te explicar", pois não há explicação para o que houve, e, a passagem do tempo só mostrou que não houve culpado algum. Mas, penso que, sabendo que também sofri, você, talvez, possa deixar de me ver dessa maneira que ainda vê...como a pessoa insensível que ousou isolar você do mundo para, depois, destruir o que havia de melhor em você.
  Eu queria...queria ultrapassar a distância que existe entre nós, distância que se deixa enganar por nótícias virtuais que tenho de você, distância que não precisaria existir...queria transpô-la para dizer tudo o que está sendo dito aqui e te contar que as cartas e fotos e lembranças continuarão comigo, por onde eu for, jamais abrirei mão de mantê-las...quem sabe, um dia, eu possa mostrá-las a você e dizer o quanto me importei, por todos esses anos...quem sabe, um dia, possamos sentar e conversar...quem sabe, possamos nos encontrar além das coincidências...e, mesmo que eu note em você alguma tensão, fingirei que nada vi,  para não constrangê-lo...não vou desviá-lo do caminho que escolheu...apenas quero que saiba que, de uma forma ou de outra, você sempre esteve aqui...comigo.
  E assim seguirei...acompanhando seus passos à distância, enquanto ignora os meus.

                             Sempre, sempre, sempre...
                                                   ...
P.S.: Saiba que, ainda que você tenha rasgado todas as minhas cartas e fotos e tenha deletado da mente tudo o que se referia a mim, eu jamais tive coragem de fazer o mesmo com você, pois, houve uma vez em que tentei rasgar uma foto sua, mas minhas mãos quedaram-se inertes, deixando cair o retrato no chão...uma dor veio do fundo da minha alma e rasgou meu coração, pois senti que se me desfizesse de tudo o que guardei, estaria arrancando um pedaço de mim mesma, onde nossos momentos ainda vivem. e, descobri que, de nada adiantaria, destruir cartas, fotos, se jamais poderia destruir as memórias...jamais!

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Conto-Sol e Lua


 
    Tudo começou naquele exato momento em que ela cruzou aquele portão e o viu...era uma ensolarada tarde de outono, ele estava parado junto a uma fonte, o sol fazendo brilhar seus cabelos e queimando sua pele bronzeada...calça clara, sem camisa...os cabelos presos...tal visão a perseguiria pelo restante de seus dias.

      O primeiro impacto foi o de parar, ali mesmo, no portão, e contemplá-lo, estática, muda, como se o tempo tivesse parado naquele instante, como se o mundo estivesse em suspense, esperando o próximo passo...

     Ali, naquele momento, ela teve certeza: o queria, o amaria...por toda a sua vida, não importando o que pudesse acontecer.

    Ela adentrou o local e, a cada passo que dava, não conseguia desprender os olhos dele...para onde ele ia, seus olhos o seguiam, todos com ela falavam, mas sua mente estava presa na presença daquele homem...todo o seu ser pedia por ele, o exigia...seu olhar a hipnotizava, até mesmo seu jeito despojado, despreocupado, seu caminhar gingado a fazia enlouquecer em seu ritmo.
 
   Ela estava, definitivamente, enfeitiçada, ele havia roubado seu coração e, desde então, já tinha plena consciência desse fato, com a certeza de quem sabe que seu charme, uma vez lançado, jamais é desperdiçado.
 
   O tempo passou, a inevitável aproximação aconteceu e ela lançou o desafio...o esperaria naquela noite, em determinado local...ela surpreendeu-se com a rapidez com que ele aceitou.
 
   E, naquela mesma noite, ele cumpriu sua palavra e foi aquela, a primeira noite do resto de suas vidas.
 
  Sob a luz da lua cheia, um beijo selaria o que viria a ser algo constante em suas vidas...uma sede, uma vontade, a sensação de que um não poderia viver sem o outro, independente do que acontecesse. Ele já tinha alguém em sua vida, ela foi tendo outros, no decorrer de sua trajetória, mas ele sempre esteve ali...a voz rouca e quente a atormentar seus pensamentos, os braços que a puxavam para si, o calor daquele corpo que ela tanto desejava...não importava como, eles tinham um ao outro.
 
   Ele tinha total certeza do que ela sentia, ele estava seguro de que ela sempre o amaria e jamais conseguiria se prender, de verdade, a mais ninguém, o feitiço que ele havia lançado naquela tarde de outono estava surtindo efeito.
 
   Ela sabia que ninguém a beijaria como ele beijava, ninguém a faria perder a cabeça como ele fazia, em nenhum outro corpo ela sentiria prazer...
 
    Mas, quis a vida que seus caminhos seguissem paralelos, Sol e Lua que se encontram, apenas, em raros eclipses. A força da paixão que os unia esporádicamente...pelas madrugadas, os encontros tornavam provável o improvável...ele, o Sol, a aquecer a órbita dela, a Lua. Superfícies que se encontravam, almas que se mesclavam, corpos...corações...mais que proibido ou impossível...apenas paixão...amor!
 
   Não importava a distância que os separasse, ambos seguiam tendo urgencia um do outro, sede, fome, desejo...um sentimento que eles mantinham oculto, por força das circunstâncias, mas que ali estava e com eles seguiria, para sempre.
 
   Sol e Lua partilhando o mesmo espaço, mas, raramente se encontrando...atração mútua e irresistível...somente o universo saberia como, quando e onde seria o eclipse que os uniria novamente, ou, quem sabe, o fenômeno ou milagre que os faria pertencerem-se de fato, sem nenhuma sombra ou contratempo entre eles, para sempre...

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Simplesmente, Amor


fecho meus olhos,
para ver-te em meus pensamentos.
abro meu coração para encontrá-lo,
lá dentro,
entre saudades e um amor que persiste
e não me abandona jamais.


volto a um tempo,
onde eu o via bailando,
olhos brilhando na noite,
seu corpo movendo-se,
seduzindo-me,
um tempo em que eu o tinha,
ainda que pela metade,
de alguma forma, ainda era meu.

nunca quis exigir nada,
jamais pedi que se decidisse,
aceitei o que me oferecia,
ainda que fosse um final de noite
e seu coração dividido por duas.
ainda assim, eu o possuí...


não pretendo que se decidas,
não pretendo que a deixe,
apenas quero que permita
que eu seja os braços que te acalentam,
que me deixe enxugar suas lágrimas,
que encontre em mim o conforto,
que sua tormenta o faz necessitar.


não pretendo ser a lua
que ilumina suas noites,
apenas quero ser a estrela
que guia seus passos.
não pretendo ser seu maior sonho,
apenas quero sentir-me feliz,
ao vê-lo realizando seus desejos.


não pretendo ser a música
que acompanha seu bailado,
apenas quero ser a brisa
que irá te refrescar,
quando seu corpo estiver cansado.
não pretendo ser sua escolhida,
apenas espero que lembre-se de mim,
quando se sentir sozinho.


não pretendo ser a melhor das suas lembranças,
apenas quero que, ao deitar-se,à noite,
lembre-se daquela que te amou, sem nada pedir,
que se entregou, sem exigir,
daquela que se foi,
mas, mesmo distante, não deixou de sentir
esse amor que a acompanha, que com ela irá,
por onde quer que ela vá,
por onde ela seguir.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Crônica-Rendición



Ela sente como se não pudesse dizer não, como se jamais pudesse se recusar a atender a qualquer pedido que ele faça.
É impressionante o poder que ele tem sobre ela...como sua voz, seus olhos, seu desejo a possuem...o desejo dela confunde-se com seu desejo, o querer dela mescla-se com o seu querer...uma estranha simbiose que a mantém fascinada por esse homem.
Mesmo após o físico ter se transformado em platônico, mesmo quando o contato de ambos se dá de forma mais virtual do que real, mais espiritual do que material...ela sente seu magnetismo à distância e, em seu olfato, o cheiro dele, máscula essência, que a subjuga.
Instinto...domínio...posse...querer sem possuir...ter, sem exigir mais do que se consegue...
A qualquer momento, durante o dia, ou durante a noite, ela chega a sentir sua presença, tão real, concreta e palpável, quase como se pudesse tocá-lo...e isso a enlouquece, a tortura, porque ela sabe que há muito mais coisas que se interpõem a ambos do que coisas que poderiam (e deveriam), de fato, uní-los.
Ainda assim, ela sabe que, também, exerce algum poder sobre ele, que algo o mantém sempre pronto a recebê-la em seus braços fortes...que sua masculinidade só se completa em contato com a doce feminilidade dela...que ele quer, ele exige, ele não vive sem ela.
Um jogo sem perdedores ou vencedores, uma guerra que só eles dois sabem como e onde travar...

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Crônica-Cismas




Ela queda-se em cismas, enquanto seus dedos correm o teclado transformando em palavras tudo o que ela sente.
Depois de tanto tempo escondendo-se em sua complexidade, ela começa a sentir-se perdida, sem saber, exatamente, para onde ir.
Em seu coração, guardado como um tesouro, um sentimento que nunca a deixou, que a pegou de surpresa, um dia, mas ali montou seu acampamento...coração cigano, alma cigana...evidentemente, amor cigano.
Ela busca na tela do monitor imagens daquele que, um dia, fora tão real e concreto para ela. Naqueles tempos, bastava estender suas mãos e ela poderia tocá-lo, uma palavra de consentimento e ele poderia possuí-la.
Ele que tomou posse de seu ser, sua mente, seus pensamentos, sua alma...olhos que ela ainda vive a buscar, beijos que ela anseia por sentir novamente...ele...totalmente senhor da vida dela.
Ela sente que não poderá resistir e essa rendição dá-lhe uma sensação de impotência, desespero...uma paixão avassaladora que mais dói do que consola...
O querer intenso e urgente...aqui, agora...mas, ela sabe ser isso impossível.
Mais um dia em sua vida...entre fadas, ciganas, feiticeiras...também entre arcanjos!
Sozinha em suas cismas...como sempre!

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Antíteses


Entre meu querer e não-querer estava a dúvida,
E, escondido sob essa dúvida, estava meu medo.
Medo de querer e você não querer,
De avançar e com suas barreiras me deparar.
Entre minha vontade de falar e minha propensão a calar,
Estava a necessidade de ser sincera...
Entre o tentar e o recuar,
Estava a certeza de que eu poderia falhar.
Antíteses, paradoxos, contradições da vida...
Seguir sem saber onde se pode chegar...
Mesmo que, na verdade, não se queira avançar...
Não muito, não mais do que o aconselhável pela prudência.
Entre seu "sim" e meu "talvez" estava escondido o seu "não",
A sensação de que não era aquele o momento.
Entre a certeza de que deveria respeitar o seu momento
E a vontade de quebrar sua muralha recém-construída,
Estava o súbito desejo de estar ao seu lado
Para, simplesmente, segurar suas mãos e te fazer sentir melhor.
E, oculta estava, em tudo isso, a minha busca
Por alguém que conseguiu entrar em meu coração
E, nessa busca, mais uma vez, a vontade
De olhar nos olhos desse alguém
E permitir que lesse em meus olhos
O que se passava em minha alma...
E acima de todas as antíteses, paradoxos e contradições,
Estava a certeza de que nada disso fazia sentido algum,
Mas, não importava, contanto que, sob tantas inverossimilhanças,
Eu pudesse, finalmente revelar a vontade de viver o momento...
Desde que esse momento fosse não só meu, mas seu, também.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Anjos e Palavras




Tudo aconteceu tão rápido e ela mal teve tempo para se situar...palavras e palavras com o poder de uma espada, atravessaram a muralha que ela havia construído em seu coração...afinal, quem ali estava, permaneceria, mas, ninguém mais haveria de entrar...
...ao menos, era isso o que ela pensava e era nisso que ela acreditava...piamente, se agarrando nessa verdade com a força de um náufrago que acha um pedaço de madeira no meio do mar.
Súbito, em um momento de distração, surge um anjo que disse a ela palavras que penetraram em cada um de seus poros e, seguindo por suas veias, atingiram seu coração.
Muralhas? Que muralhas? Elas tinham a resistência de uma miragem e a consistência de uma ilusão.
Ela, que adentrou um mundo mítico de fantasias, não esperava, que em seu Universo de sílfides, dríades, salamandras e ondinas, um anjo pudesse adentrar.
Mas sua presença trouxe ensinamentos, suas palavras mostraram que não há coração que se feche a algo tão sutil que o toque, como tocaram aquelas palavras.
Missão cumprida, o anjo voltou ao seu Universo divino, entre harpas, letras e canções e ela permaneceu onde estava, entre grata e confusa, sem saber por que ele partiu, sem, nem ao menos, entender o que houve...tudo pareceu tão sem sentido, fora da lógica que ela estabeleceu para seu mundo, onde não havia espaço para coisas tão intangíveis e abstratas. 
Talvez ela tenha levado tudo tão a sério, talvez ela tenha se confundido, talvez ela tenha sonhado...mas, o anjo deixou em suas mãos a fórmula mágica da saudade e a certeza de que algo mágico e especial aconteceu, ainda que breve e apenas verbal.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Simplesmente...magia...


A sensação de um encontro...reencontro...algo que transcende os limites da razão, da lógica, do plausível...um querer estar ali, sempre...constantemente em busca...à procura...não saber o que pode ser encontrado, mas, surpreender-se, a cada instante, com cada palavra...tentar fugir e descobrir que se está andando em círculos, talvez porque a vida, realmente, queira que se esteja ali, que se viva o que se apresenta logo adiante.
O que fazer? Render-se?Continuar tentando fugir?Prender-se nos confortáveis grilhões da indecisão???
Quem saberá? Nem eu, nem ninguém...que a vida responda o que minha mente recusa-se a revelar.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Ciclos

Começos e recomeços...a vida funcionando de forma cíclica e perfeita, onde tudo tem sua finalidade, seu tempo, sua razão...
Sem questionar, sem me prender ao que virá, o que me importa é viver o Hoje...não importa como os fatos se apresentam, não importa se não parece muito racional, se foge aos padrões e critérios...na verdade, eu mesma me propus não me prender a princípios pré-estabelecidos.
O importante é ser e viver. Pagar para ver, consciente de que tudo tem, sim, seu preço, mas o preço da tentativa é, sempre, o aprendizado.

Arcanjo-Danni Carlos




Enquanto ela dormia
Ele a atentava
Em seus pensamentos

E quando a noite vinha
Ela temia poder cair
A qualquer momento

Porque a verdade aparece
Você vai ver
A verdade não esquece
Até dissolver
Uma lágrima quente
Que te fez chorar

Meu arcanjo anda armado
Pra me defender
E com seu corpo fechado
Põe pra correr
Toda sombra que cisme
Pousar do meu lado

Agora ela entende que ser valente
É ter paciência a cada minuto
Não basta somente querer tanto
Se as atitudes já diziam tudo

Preste atenção
Você vai ficar velho um dia
Aceito sua mão
Mas não caio em sua armadilha

Porque a verdade aparece
Você vai ver
A verdade não esquece
Até dissolver
Uma lágrima quente
Que te fez chorar

Meu arcanjo anda armado
Pra me defender
E com seu corpo fechado
Põe pra correr
Toda sombra que cisme
Pousar do meu lado


sábado, 7 de novembro de 2009

Íncubo



em meu quarto escuro,
apenas a luz da lua entrando pela janela,
um calor que não me deixa dormir,
a falta que meu corpo sente do seu,
de repente a porta se abre,
e te vejo vindo ao meu encontro,
seus olhos brilhando na escuridão,
como chispas em seu olhar,
seu sorriso cheio de promessas,
suas mãos ávidas para me tocar,
seu silêncio repleto de intenções,
diz mais do que as palavras que você cala.
você, meu íncubo, anjo da noite, deus do desejo,
invadindo meu quarto, sem pedir,
dominando meu corpo, me envolvendo,
me preenchendo, sem parar.
sua respiração quente e ofegante,
suas mãos fortes,
sua boca ansiosa,
seus beijos famintos,
eu, rendida, totalmente entregue a você.
nesse jogo mútuo que só nós sabemos jogar,
sem vitórias ou derrotas, sem regras,
apenas eu e você entre lençóis,
dois corpos em chamas que insistem em não se apagar.
céu e terra se encontram, entro em sua órbita,
me perco em você...
tudo gira ao meu redor,
enquanto possuimos um ao outro sem pensar,
tudo perde o sentido, o tempo deixa de existir,
e o conceito de espaço torna-se tão simples,
é aquele onde só nós podemos estar,
dois corpos em um mesmo lugar no espaço,
ao mesmo tempo, constante atividade,
total sintonia...eu, você, mesclados em nós mesmos,
somos apenas aquilo que nos fazemos sentir.
eu...você...e nada mais há além de nós dois.
de repente, somente a escuridão e meu quarto vazio,
os lençóis intactos, o travesseiro molhado de suor...
meu anjo da noite, meu íncubo apenas em sonhos me visitou,
saciando em outros mundos o desejo que sinto...
em uma outra dimensão, além da matéria, meu anjo...
senhor do meu mundo, meu grande e inatingível amor.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Um sonho, uma noite e nada mais



não posso me deixar levar,
me envolver pelos momentos
que nos embalaram.
não posso permitir
que uma única noite
revolucione toda a minha vida.
tenho que entender,
tenho que aprender,
tenho que jogar seu jogo,
as regras aí estão para serem seguidas,
eu e você, uma noite e nada mais.

tenho que dar as cartas,
antes que você apresente as suas,
pensar na próxima jogada,
antecipar seu xeque-mate.
suas palavras, seu corpo, seu beijo,
seus braços me envolvendo,
sua voz me seduzindo...
ingredientes prováveis
do elemento chamado paixão.

eu não quero amar,
não quero me entregar,
quero fingir...
pensar que nada houve,
quero fugir...
manter-me à uma distância segura
de tudo o que me leve a você.
não quero esperar você chegar,
não quero pensar que pode ligar,
pois, ao chegar, talvez não me note,
e, quem sabe, sua ligação nunca chegue...



não quero esperar mais do que tivemos,
aquilo foi tudo o que me ofereceu,
sedução, loucura, rendição,
horas e minutos intensos...
inesquecíveis, talvez,
e nada mais.


meu caminho está traçado,
meu destino determinado,
estabeleci objetivos,
critérios e princípios,
ontem fomos mais do que eu e você,
fomos além do que somos, geralmente.
hoje, voltaremos ao que sempre fomos,
conversas, formalidade...talvez, olhares...
e ontem terá sido apenas fruto da magia,
da lua, do vinho, do momento...
um outro eu, outro você...
hoje, à luz do dia,
talvez já não nos vejamos da mesma forma,
o gosto de novidade se foi,
vencemos no jogo da conquista,
a magia ficou onde deixamos,
em um lugar dentro da nossa lembrança,
junto com o vinho, a noite e o luar.

eu e você, não mais,
apenas eu, você e tudo o mais,
caminhos que seguem paralelos,
retas que talvez não se encontrem,
bons amigos e um segredo...
só entre nós e ninguém mais.
e que fique assim combinado,
a noite de ontem ficou no passado,
pode ser que aquilo não se repita jamais,
meu sentimento, resquício da magia,
ficará guardado,
meu caminho será percorrido,
meu destino será cumprido.

a primeira e derradeira poesia,
a qual você me inspirou,
letras que falam de um sonho,
um desejo, mas não de amor...
quem sabe um dia, outra noite, quem sabe...
sem compromisso, sem esperanças,
sem expectativas...
...nesse jogo as regras são claras:
ninguém é de ninguém,
ninguém perde, ninguém ganha,
sem posse, sem domínio...
lembranças, saudade...
a consciência de que foi um sonho,
a magia de uma quente noite de luar,
a benção dos deuses apenas naquele instante,
a certeza de que não há do que se arrepender,
do que nos culpar...
chegamos onde queremos chegar
e, também, para onde temos de voltar,
nossos lugares, nossas realidades, nossas vidas...
um sonho, uma noite e nada mais.




sábado, 3 de outubro de 2009

Indefinível



já cansei de definir,
não importa o que seja,
só sei que sinto e vou sentir.
não posso mais disfarçar,
meu peito grita a urgência desse amor,
preciso te ver, preciso te abraçar,
preciso esquecer o quanto
a vida tem sido dificil conosco,
entre tempos e contratempos,
partidas, despedidas e saudades,
a única coisa que ficou foi essa loucura...
a loucura que ainda chamo de amor.
mas...será???
será amor?não será paixão?
fixação...loucura...alucinação...
você disse que era mais que sexo
e eu sei que é mais que atração,
então, me ajude, me mostre o caminho...
o caminho certo para definir...
...é amor???
subestimei o que houve,
pensei que com o tempo iria acabar,
me enganei, confesso,
a distância só fez aumentar...
e te quero, preciso, te chamo...
deixei muito de mim com você...
te grito...te amo!
sei que preciso te ter...
...uma vez mais...só uma,
a espera noturna,
o segredo só nosso,
a lua como testemunha,
abraços, sussurros, beijos,
instantes perdidos no espaço...
indefinível...
que me importa o que seja,
mas meu coração diz que é amor,
intenso, profundo, desprendido,
como jamais senti antes...
e, receio, como jamais sentirei...
amor...pura e simplesmente...amor...
no mais amplo e inquestionável sentido...
indefinívelmente...AMOR.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Silencio - Nelly furtado ft. Josh Groban




Aire, viento y en mi alma
El fuego se ahoga y solo queda el frio
Cine vino y a paso muy lento
Llevo debil el brazo de un tormeto
Si tu no estas aqui, no me yo voy a desistir
Tengo que despertar tengo que revivir
Es un inmenso vacio, ya no hay amor aqui
Talvez no te borre en mi y sufrir el silencio
Silencio.. Silencio...Silencio
Antes el sol era mi bendicion
Ahora sus rayos me queman sin razon
Antes creia sin dudar en mi instinto
Ahora es tan fragil con un animal herido
Donde el sol no vuelve más
Mi alma libre va
Yo te esperare
Hasta la eternidad
Amor mio....
Si tu no estas aqui

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Segredos



segredos que não se contam,
segredos que não se entregam,
segredos que se compartilham,
fantasias que, juntos, inventamos,
ocultas em um segredo só nosso,
loucuras que desejamos,
lembranças do que vivemos,
nosso segredo...só nosso.


saudades que eu sinto,
o "eu te amo" que me pego dizendo,
do nada, em silêncio,
em pensamento,
meu segredo...
nosso...
o que nos une, nos vincula,
nos torna cúmplices...
segredos...


olhar sua foto e te desejar
ter que esse sentimento ocultar,
em segredo...te amar...
querer ir até você,
ainda que não possa
em seus braços me lançar,
quero ir...
que seja só para te ver,
que seja só para ao seu lado estar,
que seja, para na calada da noite,
te encontrar...
mais uma vez nosso segredo...
nosso longo e interminável segredo...


beijos que se perdiam na madrugada,
abraços que envolviam o silêncio,
sussurros, risos, jogos...
o segredo que se fazia...
tão presente na escuridão da noite,
tão oculto à luz do dia...
segredos...
nossos momentos envoltos em segredos,
diáfano manto que os protege,
tornando-os nossos...só nossos...
o que me faz feliz,
pois só assim,
no segredo de nossos momentos,
posso ter a certeza de que te possuo,
por inteiro e só pra mim.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Vícios e Virtudes



não consigo me desvincular de você,
desse nosso jogo maluco,
idas e vindas,
risos e lágrimas,
um dia paixão, no outro ira,
tentando fugir, sem jamais conseguir.
com palavras buscamos o efeito
viciante que causávamos juntos,
você é tão perfeito em sua imperfeição
e, mesmo sendo imperfeito, é perfeito demais,
ainda é o que busco,
ainda que queira me afastar.
vício, virtude,
pecado, redenção...
totalmente passionais,
nos rendemos e nos afastamos
e, quando nos afastamos,
nos buscamos,
um ao outro,
desesperadamente,
como viajante busca o oásis no deserto.
somos calor, fogo, paixão,
suor, gritos, sussurros e gemidos,
o sim querendo dizer não,
o não querendo dizer sim,
palavras provocantes
se misturam à nossa canção.
atravessamos os limites do tempo e do espaço,
perdendo a noção,
totalmente loucos e perdidos em nós mesmos.
desisti de definir esse sentimento
já que até você não sabe descrevê-lo
altos e baixos, loucura...
ontem me parecia tão distante,
hoje está tão perto,
te sinto como se fosse dentro de mim.
meu vício, minha virtude, redenção,
perfídia, veneno, cura, alucinação...
ainda é o que me tira o sono,
o que me dá inspiração,
me confunde, me perde, me conquista,
anjo-demônio perfeito em sua imperfeição.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Não me esqueça...

não me tire de sua memória,
não me expulse de sua mente,
você bem sabe que não fui culpada,
você sabe o quanto viveu em mim,
por todo esse tempo,
esse sentimento,
e por todo esse tempo você preferiu
cultivar a arte de ser amado,
e fingir amar, sem sentir de fato.
de me envolver e me fazer render,
me perder em seus braços,
sem que tenha precisado se entregar.
eu não podia continuar vivendo
por quem optou por viver sem mim,
sentindo seu coração pulsar dentro do meu,
respirando seu fôlego,
vivendo seu momento,
te buscando, enquanto você se distanciava...
e quando segui meu rumo, você veio...
me envolvendo com palavras,
dizendo que, de fato, me adorava,
que marquei em sua vida,
que sentia algo que jamais saberia definir...
veio dizendo que estava triste e chorava,
talvez com medo de perder o amor
que aprendemos a fazer com palavras,
esse jogo que nos prendeu e nos envolveu,
a entrega sem a posse,
o possuir sem se entregar...
e talvez envergonhado de ter dito tanto,
agora busca em canções palavras para me dizer
que não quer mais, que vai me esquecer...
não brinque com os sentimentos
de quem luta para não amar você...
apenas, entenda...não vá...
compreenda...não dá...
não posso, mais do que deveria não querer...
sei que tenho que seguir minha vida...
...mas não queria seguir perdendo você!