Frases Soltas do Pensador (www.pensador.info)

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Dádivas


De todas as dádivas,
Quisera eu o seu perdão.
Água para matar a minha sede,
Sono para findar minhas noites 
Insones.
Canção para embalar minha solidão.

De todos os presentes,
Dêem-me, os céus, o seu sorriso
Lindo, a bailar em seus lábios,
Puro, a encantar os meus olhos,
Gentil, como outrora,
E não amargo e dorido, como agora.

De todas as bençãos,
Conceda-me, Deus, o seu amor.
Amor que naufragou
Nas vagas da desilusão.
Amor que se perdeu no "adeus",
Em desamor se converteu.

Desamor que à sorte me abandonou,
Velando noites a fio,
Errando por entre os caminhos da vida,
À margem da felicidade,
Buscando-te em cada sorriso,
Perdida...
Suplicando pela sua volta.

Quisera eu que Deus me ouvisse,
E guiasse teus passos
De volta aos meus braços.
Eis, enfim, a maior das dádivas:
Por entre beijos e abraços, o seu regresso.

(SP/ Junho de 1999)

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Closed Eyes


Seus olhos, antes brilhantes, 
Enigmáticos,
Expressivos,
Hoje estão fechados,
cerrados,
Como portas que nunca mais se abrirão,
Janelas fechadas,
Tornando impossível de se ver a vida lá fora.

A luz de seus olhos esverdeados
Escureceu,
Seu sorriso
Se fechou,
O seu corpo, antes tão ativo, vivo,
Jaz inerte...sob terras quaisquer.

Sinto sua falta,
Como se o houvesse conhecido,
Acreditando em um passado improvável,
Um tempo perdido,
Anos esquecidos.
Sinto cada parte do seu corpo,
Como se o tivesse tocado,
Seus lábios...como se os tivesse beijado,
Seus olhos...como se os tivesse fitado.

E, então, sabendo que seu corpo
Está sem vida, por aí,
Entendo o que é saudade,
Uma saudade de alguém que não conheci.
sinto ter alguma ligação com você,
Um elo que nem mesmo a morte desfez.

Srerá que alguém já sentiu a cruel saudade
De alguém querido, um ente perdido?
A dor do nunca...nunca mais,
O desejo da volta, do retorno, 
O ímpeto de morrer, também,
Para se encontrar com esse alguém?
E se somar essa saudade à saudade de um corpo
Que nunca se tocou, nunca se amou,
Mas, de uma forma inconsciente,
Sempre se desejou?
Um rio no qual nunca se navegou...

É a saudade de um corpo, de um nome
Que traz, em si, a eternidade, 
Apesar da morte,
Do rio e da águia imortal,
O rio que nunca morre, nunca finda seu curso,
A águia, a fênix, que renasce das cinzas,
Closed eyes...eternamente...
Saudades pungentes...River Phoenix!

(SP 23/08/1995 - Aniversário de 25 anos de River Phoenix, se estivesse vivo)

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Paixão


Sinto a loucura a se aproximar,
A paixão, qual fera a espreitar, 
Sinto em meu coração o pulsar
De um sentimento que me vai dominar.

Qual fogo a arder em meu íntimo,
O calor que abrasa nas noites insones,
Tua imagem a me perseguir,
Meu corpo irrequieto,
Ardendo...não posso dormir.
É mal de amor? Não posso fugir.

O teu beijo, ainda o sinto,
O teu corpo...um labirinto.
Nesse desejo ainda me perco,
Não quero amar, quero fugir...
Fecha-se o cerco!

É amor? É paixão?
Não sei.
É desejo? É atração?
Como saberei?
Essa loucura me bloqueia os sentidos,
Não penso, não ajo, não falo...
Sinto, apenas, e apenas sentirei.
Se desejo-te agora, deseja-me...
E então te amarei.

(SP/1997)