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quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Conto-Sol e Lua


 
    Tudo começou naquele exato momento em que ela cruzou aquele portão e o viu...era uma ensolarada tarde de outono, ele estava parado junto a uma fonte, o sol fazendo brilhar seus cabelos e queimando sua pele bronzeada...calça clara, sem camisa...os cabelos presos...tal visão a perseguiria pelo restante de seus dias.

      O primeiro impacto foi o de parar, ali mesmo, no portão, e contemplá-lo, estática, muda, como se o tempo tivesse parado naquele instante, como se o mundo estivesse em suspense, esperando o próximo passo...

     Ali, naquele momento, ela teve certeza: o queria, o amaria...por toda a sua vida, não importando o que pudesse acontecer.

    Ela adentrou o local e, a cada passo que dava, não conseguia desprender os olhos dele...para onde ele ia, seus olhos o seguiam, todos com ela falavam, mas sua mente estava presa na presença daquele homem...todo o seu ser pedia por ele, o exigia...seu olhar a hipnotizava, até mesmo seu jeito despojado, despreocupado, seu caminhar gingado a fazia enlouquecer em seu ritmo.
 
   Ela estava, definitivamente, enfeitiçada, ele havia roubado seu coração e, desde então, já tinha plena consciência desse fato, com a certeza de quem sabe que seu charme, uma vez lançado, jamais é desperdiçado.
 
   O tempo passou, a inevitável aproximação aconteceu e ela lançou o desafio...o esperaria naquela noite, em determinado local...ela surpreendeu-se com a rapidez com que ele aceitou.
 
   E, naquela mesma noite, ele cumpriu sua palavra e foi aquela, a primeira noite do resto de suas vidas.
 
  Sob a luz da lua cheia, um beijo selaria o que viria a ser algo constante em suas vidas...uma sede, uma vontade, a sensação de que um não poderia viver sem o outro, independente do que acontecesse. Ele já tinha alguém em sua vida, ela foi tendo outros, no decorrer de sua trajetória, mas ele sempre esteve ali...a voz rouca e quente a atormentar seus pensamentos, os braços que a puxavam para si, o calor daquele corpo que ela tanto desejava...não importava como, eles tinham um ao outro.
 
   Ele tinha total certeza do que ela sentia, ele estava seguro de que ela sempre o amaria e jamais conseguiria se prender, de verdade, a mais ninguém, o feitiço que ele havia lançado naquela tarde de outono estava surtindo efeito.
 
   Ela sabia que ninguém a beijaria como ele beijava, ninguém a faria perder a cabeça como ele fazia, em nenhum outro corpo ela sentiria prazer...
 
    Mas, quis a vida que seus caminhos seguissem paralelos, Sol e Lua que se encontram, apenas, em raros eclipses. A força da paixão que os unia esporádicamente...pelas madrugadas, os encontros tornavam provável o improvável...ele, o Sol, a aquecer a órbita dela, a Lua. Superfícies que se encontravam, almas que se mesclavam, corpos...corações...mais que proibido ou impossível...apenas paixão...amor!
 
   Não importava a distância que os separasse, ambos seguiam tendo urgencia um do outro, sede, fome, desejo...um sentimento que eles mantinham oculto, por força das circunstâncias, mas que ali estava e com eles seguiria, para sempre.
 
   Sol e Lua partilhando o mesmo espaço, mas, raramente se encontrando...atração mútua e irresistível...somente o universo saberia como, quando e onde seria o eclipse que os uniria novamente, ou, quem sabe, o fenômeno ou milagre que os faria pertencerem-se de fato, sem nenhuma sombra ou contratempo entre eles, para sempre...

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